ENTREVISTA
 
JOSÉ LUIZ MENDONÇA
Botonista de São José do Rio Preto / SP
entrevista concedida a Paulo Sérgio Martins em Maio/2009
 
 
 

01. Faça uma breve apresentação a seu respeito. Onde e quando nasceu? Onde e quando iniciou no futebol de mesa? Como aconteceu seu início na modalidade de três toques? Quais os tipos de regra que você já praticou? Qual a maior satisfação que o futebol de mesa lhe proporcionou?
R.: Nascido em SJRPreto SP, em 14/03/1960, Comecei a jogar em 1969 com 9 anos, meu irmão mais velho me ensinou. Inicio na regra 3 toques: Vi um campeonato na TV sendo realizado em SJRPreto na época organizado pelo Aranha, Alcides e Mauricio, fui até lá e participei da segunda divisão e venci o campeonato de duplas, e nunca mais parei de jogar até hoje.

02. O que o levou a optar pelo futebol de mesa como modalidade esportiva, em detrimento de outro esporte?
R.: Minha paixão por este esporte vem da infância, já pratiquei outros esportes, mas me identifiquei com o Futebol de Mesa, porque encontrei nele, algo que não havia encontrado nos outros esportes, as amizades, a oportunidade de dirigir uma entidade, as competições, e os títulos que já conquistei, além de poder jogar (vestir a camisa vermelhinha) pelo clube de futebol da minha cidade, pelo qual aprendi desde de criança a torcer por ele.

03. O que representa o futebol de mesa para você? Quanto tempo de sua semana você dedica à prática do futebol de mesa? Sua família apóia você?
R.: No inicio era apenas um hobby, mas hoje é uma profissão, visto que sou Professor De Ed. Física e ministro aulas de futebol de mesa para crianças pela secretaria de esportes da cidade e pelo SESC, e ganho pelas aulas. Além disso encaro esse esporte profissionalmente, não amadoramente. Jogo as quartas em casa e aos sábados na Liga, e procuro ir a todos os campeonatos possíveis. Minha família normalmente não apóia minhas loucuras por esse esporte.

04. Qual o nome de seu time e o que o levou a esta escolha?
R.: FIEL FM. Porque sou torcedor do Corinthians e participei da Gaviões da Fiel, e esse nome é uma homenagem as torcidas organizadas do timão.

05. Quais os botonistas que, ao longo de sua carreira, mais o incentivaram?
R.: Nilson (Tio Nil), Aranha, Emerson, Beto

06. Quais mais o influenciaram e impressionaram?
R.: Vander, Marcus, Mauricio (SJRPreto) e Emerson

07. Quais mais o decepcionaram?
R.: Igor Iuri Mendonça, era um botonista arrazador na época de aspirantes (infantil/juvenil), ganhava tudo, mas depois não quis seguir no adulto, mesmo tendo talento para isso, e por ser meu filho, eu apostava muito nele para conquistar títulos e jogar ao meu lado na equipe.

08. Em sua opinião, qual o tipo de time ideal, bainha, altura, diâmetro etc.?
R.: Tem que ser o que se adapta ao atleta. Apesar de estar jogando desde 2007 com o mesmo time, sou um romântico do FM, jogo com qualquer time e me adapto fácil.

09. O futebol de mesa não se resume apenas aos títulos e troféus conquistados. Quais foram as suas maiores alegrias na carreira? E as maiores tristezas ou decepções?
R.: Em termos de títulos foi conquistar o paulista individual agora em 2007, porque é muito difícil vencer Emerson, Fernando, Constancio (tri-campeão), e Beto em grande crescimento, e o brasileiro de clubes em 2001, pois apesar de ter uma equipe de botonistas contratados, eu me senti vitorioso por ter conseguido junta-los numa estrutura bem montada, com patrocínios e marketing, e que deu certo, pude aperfeiçoar meu lado administrativo . Em termos gerais, tive muitas alegrias, mas acredito que até o momento as maiores são: o enorme número de amizades conquistadas ao longo da carreira, jogo com Oscar Schmidt em 1995, e ser presidente da CBFM, entidade máxima do nosso esporte, e a homenagem que recebi no Rio em 2008 pelo pessoal da modalidade 1 toque.

10. Qual a sua partida que você chamaria de inesquecível?
R.: Até o momento é 4x1 no Thiago Stefan na Copa Brasil de Clubes em BH em 2009.

11. Qual a sua pior partida, aquela que você não gostaria de lembrar?
R.: Já tive péssimas partidas, mas encaro todas elas como aprendizado, por isso não devo esquecê-las.

12. Descreva um fato pitoresco acontecido no futebol de mesa, dentro ou fora da mesa.
R.: Bem sou conhecido por fatos pitorescos, que só acontecem comigo, mas o maior deles foi no brasileiro em J. Fora em 2007, quando eu acabara de fazer um gol e passar a frente (2x1) no Miguel, e acabou a luz, voltando no outro dia com bola ao alto no centro de campo, a bola ficou para ele e aramou uma jogada muito bem edificada e fez o gol de empate, que era dele, e o resultado ficou assim até o fim e ele se classificou.

13. Existe uma conscientização generalizada em favor do "fair-play" nas competições esportivas. Apesar dos "quilômetros rodados", o que tira você do sério numa competição de futebol de mesa?
R.: Melhorou muito, mas ainda pode melhorar mais para chegarmos no ideal. Me tira do sério, é quando um juiz da partida se engana ou não esta concentrado na jogada e me prejudica, e junto a isso também, meu adversário não acusar e passar a bola para mim, mesmo ele sabendo que é minha.

14. Qual o clube de futebol de mesa mais organizado em que você já jogou?
R.: Só joguei pelo extinto Rio Preto F.M. e o América F.C. (atual), acredito que o América sempre esteve bem organizado.

15. Qual a competição mais organizada de que você tomou parte?
R: Já participei da 3 toques, 12 toques e 1 toque, em termos de organização eles, 1 toque e 12 toques, estão a frente do 3 toques, mas nos últimos anos o 3 toques melhorou muito e está mais próximo deles.

16. Quais são as maiores qualidades e os defeitos da regra de três toques?
R.: Qualidades: maior semelhança com o futebol, muito mais técnica, maior raciocínio. Defeitos: muita interpretação que às vezes confundi, tempo de jogo longo, facilidade para fazer "cera" no jogo.

17. Que sugestões você daria para a nossa regra ficar ainda melhor?
R.: Vou repetir o que falo e luto a mais de 10 anos, tempo de jogo 20x20, tempo de reflexão 8 segundos, apenas 2 furadas consecutivas na 3ª, falta indireta, (isso para evitar a "cera"), fim do lateral e escanteio cavados, todos passam a ser normais com direito a chute a gol se a jogada iniciou no ataque. São coisas que facilitariam o jogo e o aprendizado das crianças, assim teríamos mais adeptos, sem contar a mídia e a organização dos eventos como um todo.

18. Em sua opinião, qual o maior problema enfrentado pela CBFM 3 toques no momento?
R.: Conservadorismo, falta de ousadia para mudar e modernizar. Falta de profissionalismo. Pequena participação dos botonistas nas discussões e organização do movimento.

19. Que sugestões você daria para que o nosso movimento volte a crescer?
R.: Mudança de atitude, ousadia, modernização, profissionalismo, colocar em prática as mudanças que eu respondi na pergunta 17 em forma de teste por 1 ano, juntamente com as que já foram aprovadas, após esse período analisaremos o resultado, e ser for o caso aprova-se ou não definitivamente.

20. Como você vê o atual momento do futebol de mesa paulista? Quais suas sugestões e expectativas em relação ao movimento no seu estado?
R.: Um ótimo momento, onde Campinas juntando com o pessoal de Americana (12 toques), reapareceram e proporcionou um ótimo intercambio com SJRPreto. A expectativa e também ótima, de fortalecimento e melhor nível técnico, além de expandirmos para outras cidades e até mesmo a capital.

21. Atualmente você ocupa cargo de direção em algum clube, associação, federação ou confederação? Se sim, quais os seus grandes desafios?
R.: Atualmente sou presidente da Liga Riopretense e Regional de Futebol de Mesa e secretário geral da CBFM geral (estou licenciado neste momento para cuidar de assuntos particulares). Meu grande desafio na CBFM, foi como presidente até no ano passado (set/2008), reestruturar, legalizar e organizar a entidade, além de colocar nosso esporte no bolsa-atleta, que foram realizados com sucesso.

22. Quais são seus projetos para o futuro no nosso movimento?
R.: Neste momento estou voltado para meu projeto de ensinar professores de educação física nosso esporte, e assim eles possam ensinar crianças e adolescentes em escolas, clubes, associações, e enumeras entidades para nosso crescimento, e a construção da sede da Liga em SJRPreto SP.

23. Fale-nos um pouco do seu clube atual, o AMERICA. Quais os problemas que ele vem superando? Quais os projetos para ele?
R.:
O grande problema que eu sempre enfrentei no América nesses 15 anos (junho) de clube são as mudanças de diretoria. O grande projeto é conquistar novamente o titulo Brasileiro de Clubes e a Copa Brasil.

24. É comum em nossas conversas surgirem listas dos cinco mais, o "TOP FIVE". Em sua opinião:
- Quais os cinco melhores técnicos da nossa regra?

R.: Marcus, Vander, Stumpf, Bruno, Lorival.
- Quais os cinco melhores dirigentes do futebol de mesa com que você já trabalhou?
R.: Stumpf (3 toques), Robson (1 toque), Élvio (12 toques), Della Torre (12 toques), Muradian (12 toques).
- Quais os cinco melhores botonistas com quem já teve oportunidade de atuar em equipe?
R.: Marcus, Bruno, Renato, Emerson e Fernando
- Quais os cinco melhores árbitros do futebol de mesa?
R.: José Ricardo DF, Benjamin, Vander, Marcus e Miguel

25. Um sonho que você ainda não realizou no futebol de mesa?
R.: Conquistar um título brasileiro individual e representar meu país em uma competição internacional.

26. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre o tema que preferir.
R.: Bom, gostaria de falar sobre o episódio da contratação do pessoal do Tupi em 1999. Fui mal interpretado naquela época, primeiro eles estavam sem clube para jogar, então visualizei uma possibilidade de marketing e conquistas para o América, que possibilitaram, após a conquista do titulo brasileiro de 2001 patrocínios que até hoje estão sendo úteis para o desenvolvimento do pessoal aqui em viagens e intercâmbios para o crescimento do nível técnico, além disso, as vindas deles aqui em SJRPreto para jogar foi ótima para esse aprimoramento, sei que criou se polemica dobre isso, mas tenho a consciência da importância que foi isso para nós, e não me arrependo de ter feito, além do que, após esse fato reparei que outras vezes em anos posteriores aconteceu fatos semelhantes de botonistas jogarem para outro estado e nem por isso foi feito polemica em cima disso. Isso e profissionalismo, o que eu falei nessa entrevista que falta para que possamos crescer. Sou apaixonado por esse esporte, e fiz, faço e farei o que puder para vê-lo em lugar de destaque, e meu recado a todos é que procurem trabalhar as crianças para nosso futuro, senão vai chegar uma época em que estaremos jogando só campeonato de máster.

 
 
 
 
RETORNA À PÁGINA ANTERIORTOPO DA PÁGINAPÁGINA PRINCIPALENTRE EM CONTATO